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Trouxe o sol à poesia
mas como trazê-lo ao dia?
No papel mineral
qualquer geometria
fecunda a pura flora
que o pensamento cria.
Mas à floresta de gestos
que nos povoa o dia,
esse sol de palavra
é natureza fria.
Ora, no rosto que, grave,
riso súbito abria,
no andar decidido
que os longes media,
na calma segurança
de quem tudo sabia,
no contato das coisas
que apenas coisas via,
nova espécie de sol
eu, sem contar, descobria:
não a claridade imóvel
da praia ao meio-dia,
de aérea arquitetura
ou de pura poesia:
mas o oculto calor
que as coisas todas cria.
- João Cabral de Melo Neto
Não basta saber, tem que aplicar.Não basta querer, tem que fazer.
- Goethe.
“amar é sofrer. para evitar sofrimento, basta não amar. mas então você sofre por não amar. então, amar é sofrer; não amar é sofrer; sofrer é sofrer. para ser feliz, basta amar. ser feliz então é sofrer, mas sofrimento nos deixa infelizes. então, para ser infeliz, você deve amar ou amar sofrer, ou sofrer de muita felicidade. espero que você esteja me entendendo.”
- Woody Allen
* garimpado por Bia Marchon
“Sim, sou um poeta e sobre a minha tumba
Donzelas hão de espalhar pétalas de rosas
E os homens, mirto, antes que a noite
Degole o dia com a espada escura.
“Vê! Não cabe a mim
Nem a ti objetar,
Pois o costume é antigo
E aqui em Nínive já observei
Mais de um cantor passar e ir habitar
O horto sombrio onde ninguém perturba
Seu sono ou canto.
E mais de um cantou suas canções
Com mais arte e mais alma do que eu;
E mais de um agora sobrepassa
Com seu laurel de flores
Minha beleza combalida pelas ondas,
Mas eu sou um poeta e sobre a minha tumba
Todos os homens hão de espalhar pétalas de rosas
Antes que a noite mate a luz
Com sua espada azul.
“Não é, Raana, que eu soe mais alto
Ou mais doce que os outros. É que eu
Sou um Poeta, e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho.”
Poema do modernista Ezra Pound,
traduzido de forma soberba por
Augusto de Campos.
Nunca fui o maior adepto dos “memês”, até porque quem me conhece sabe que tempo é uma coisa bem escassa nos meus dias normalmente. Mas como foi o ilustre Bruno Passeri, do excelente Animal:Pássaro que me deu a missão, resolvi abraçar a causa.
A brincadeira consiste em pegar o primeiro livro que estiver mais fácil à mão (não vale escolher), abrir na página 161, e transcrever a quinta frase completa aqui. Sem roubar. Ok.
Como estava comentando alguns posts atrás sobre Jonathan Safran Foer, peguei “Extremamente Alto & Incrivelmente Perto” para rever o (fodidamente bom) projeto gráfico do mesmo. E por isso ele estava dando mole na minha mesa. Me dei bem.
Vamos lá:
“Naquela noite, naquele palco, por trás daquela caveira, me senti incrivelmente perto de tudo no universo, mas ao mesmo tempo extremamente sozinho”
O mais bizarro é que a tal frase, pelo que percebi, foi um provável gancho pro título do livro. Bizarro.
Missão cumprida, Passeri. Agora podemos nos embebedar alguma hora dessas no boteco mais pé sujo que encontrarmos.
Passo a missão para: BernaBauer, Pedro Acosta, Ben Jackson, Nathalia Andrade e Rafael Cruz (vai ter que escrever seu puto!).
Reparei que muita gente não conhece o trabalho do genial Jonathan Safran Foer, autor de duas obras primas da literatura contemporânea: “Tudo se Ilumina” (Everything is Illuminated, que inclusive já virou filme) e o “Extremamente Alto & Incrivelmente Perto (Extremely Loud and Incredibly Close). Esse último, o melhor livro que eu li em 2007, sem a menor sombra de dúvida.
Então, graças a fofíssima Nathalia Andrade, que teve toda a paciência do mundo para digitalizar algumas páginas, vou poder chupinhar do blog dela um pedaço (um dos melhores) dessa obra. Brigadão Nath!
“O aeroporto estava cheio de pessoas indo e vindo. Mas éramos apenas eu e seu avô.
Peguei seu diário e vasculhei páginas. Apontei para É tão frustrante, é tão patético, é tão triste.
Ele procurou no diário e apontou para O modo como acabou de me alcançar essa faca.
Apontei para Se eu tivesse sido outra pessoa em um mundo diferente, teria feito algo diferente.
Ele apontou para Às vezes a gente só quer desaparecer.
Apontei para Não há nada de errado em não compreender a si próprio.
Ele apontou para É tão triste.
Apontei para E alguma coisa doce não cairia mal.
Ele apontou para Chorei e chorei e chorei.
Apontei para Não chore.
Ele apontou para Debilitado e confuso.
Apontei para É tão triste.
Ele apontou para Debilitado e confuso.
Apontei para Algo.
Ele apontou para Nada.
Ninguém apontou para Eu te amo.
Não havia como se esquivar daquilo. Não podíamos passar por cima nem andar até a beira.
É lamentável que se precise de uma vida inteira para aprender a viver, Oskar. Porque se eu pudesse viver minha vida novamente, faria tudo de uma maneira diferente.
Mudaria minha vida.
Beijaria meu professor de piano mesmo que ele risse da minha cara.
Pularia na cama com Mary mesmo que agisse como boba.
Enviaria fotografias feias pelo correio, milhares delas.
O que vamos fazer, ele escreveu.
É com você, eu disse.
Ele escreveu Quero ir pra casa.
O que é casa para você?
Casa é o lugar com a maior quantidade de regras.
E o compreendi.
E vamos ter que criar mais regras, falei.
Para que seja ainda mais casa.
Sim.
Tá.
Fomos direto para a joalheria. Ele deixou a mala na salinha dos fundos. Aquele dia vendemos um par de brincos de esmeralda. E um anel de noivado com diamante. E uma pulseira de ouro para uma menina. E um relógio para alguém que estava de partida para o Brasil.
Aquela noite nos abraçamos na cama. Ele me beijou toda.
Acreditei nele. Eu não era idiota. Era sua esposa.
Na manhã seguinte, ele foi para o aeroporto. Não tive coragem de sentir o peso de sua mala.
Queria que ele viesse para casa.
Horas se passaram. E minutos.
Não abri a joalheria antes das 11h00.
Esperei na janela. Ainda acreditava nele.
Não almocei.
Segundos se passaram.
A tarde se foi. A noite caiu.
Não jantei.
Anos se passavam no espaço entre os momentos.
Seu pai chutou dentro de minha barriga.
O que ele estava tentando me dizer?
Coloquei a gaiola dos pássaros diante das janelas.
Abri as janelas e abri as gaiolas.
Joguei os peixes no ralo.
Desci com os cães e gatos pela escada e retirei suas coleiras.
Larguei insetos na rua.
E os répteis.
E os camundongos.
Vão, eu disse a eles.
Todos vocês.
Vão.
E eles foram.
E não voltaram.”
Além de ser absurdamente bem escrito, esse livro também tem um approach todo especial para nós designers, pois tem um dos projetos gráficos mais bonitos e conceituais que eu já vi.
Esse trecho corresponde às páginas 203, 204, 205.
E você pode comprar os livros desse jovem e promissor escritor aqui.
Ou saber mais sobre ele aqui.
Mais do que recomendado, eu diria.

você não irá vê-los com freqüência
pois onde quer que a multidão esteja
eles
não estão.
estes esquisitos, não muitos
mas deles vêm
os poucos bons quadros
as poucas boas sinfonias
os poucos bons livros
e outras obras.
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